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A Cabanagem, segundo o Catedrático Dionísio Hage, em seu livro HISTÓRIA DO PARA publicado em 1962, foi a grande guerra civil, que abalou a terra paraense na primeira metade do século XIX. As causas para este movimento foram 06 (seis):

1 - A exaltação sem limites dos partidos ou facções po­líticas, pois na época existiam dois partidos: o CA­RAMURUS, que lutava pelo retorno do Brasil à de­pendência de Portugal; o segundo era dos FEDERA­LISTAS FILANTRÓPICOS, que lutava pela manuten­ção de nossa emancipação.

2 - A fraqueza ou os excessos das autoridades consti­tuídas.

3 - A luta entre a Maçonaria e o Clero.

4 - A insubordinação da força armada.

5 - O ódio dos brasileiros de cor (pretos, mulatos, ma­melucos, etc.) aos portugueses.

6 - Os contínuos motins que desde a Independência aba­laram o poder.

A 7 de janeiro de 1835 o tenente-coronel Félix Antonio Clemente Malcher, assumia a presidência da Província do Grão.Pará. No dia 12 do mesmo mês e ano, prestava solene­mente o compromisso de o Império e a Província manterem as liberdades' constitucionais e executarem as leis.

O segundo Presidente Cabana foi Francisco Pedro Vina­gre, que assumiu a 2 de março de 1835. No dia 28 de abril de 1835 é composta a primeira assembléia Provincia1.

O terceiro e último Presidente Cabano, foi Eduardo Fran­cisco Nogueira Angelim, cearense de Aracati, que com a ida­de de 21 anos foi aclamado Presidente. Juntamente com os irmãos Vinagre e seu irmão Manuel Nogueira, a 14 de agosto de 1835, invadiram Belém. Na marcha vitoriosa, Antonio Vina­gre é atingido por um tiro no Largo das Mercês. Com sua morte assume o comando Eduardo Angelim que em seguida se apossa do Palácio do Governo e do Arsenal de Guerra.

A 25 de agosto exige a libertação dos presos, inclusive de sua esposa D. Luisa Clara Angelim sendo atendido. Chegou até a oferecer o governo antes de assumir, aos padres Jerô­nimo Pimentel e Tomás Nogueira Picanço, que eram deputa­dos provinciais eleitos, como estes se recusaram, ele assumiu.

A 9 de abril de 1836, chegava a Tutuoca (que significava casa de tatu, um segundo governo estabelecido pelo marechal Rodrigues, por ter sido desmoralizado pelos cabanos), o ge­neral José Soares Andrea, que assume a presidência da Pro­víncia o qual teve a glória de organizar a Província do Grão ­Pará. No seu governo a 29 de março de 1838 era instalada a primeira Assembléia Legislativa da Província. Andrea foi tam­bém o pacificador da Cabanagem, falecendo a 2 de outubro de 1858. Enquanto que Eduardo Angelim foi preso no Acará e transferido para o presídio da ilha de Fernando de Noronha.

Estava assim terminada a guerra civil que abalou o Pará, de janeiro de 1835 a maio de 1836.

Foi, portanto, sob esse clima de certa intranqüilidade que política, econômica e socialmente falando que o povo brasilei­ro e particularmente o paraense vivia, que surgiu a idéia da necessidade de colonização das áreas até então consideradas improdutíveis e entre elas, estava a que comportava o maior número de núcleos coloniais a localizada na Província do Grão ­Pará e que passou a se chamar Zona Bragantina, não só por­que ligava a Capital com a cidade de Bragança, mas, também, porque previam seus colonizadores que mais tarde a mesma se transformaria na zona de maior densidade demográfica do interior paraense e isso realmente aconteceu.

CASTANHAL, mesmo provando uma existência de séculos, incluído nos que antes foram experimentados por diversos po­vos como portugueses, italianos, holandeses, espanhóis, americanos, africanos e outros provavelmente segundo todos sem êxito em suas pretensões, só começou mesmo a ser levado a sério sua explora­ção já por volta de 1874, quando seus exploradores iniciaram através do rio Guamá-Guajará que ao descerem por este, en­contraram outro grande e futuroso rio, o Inhangapí, e mais à frente um de seus maiores afluentes o rio Apeú, que às suas margens, começara a surgir as primeiras habitações até mes­mo às margens dos pequenos igarapés que deles nasciam. Bem distante do Rio Apeú, ainda se faz presente o grande córrego, mais tarde se tornou importante pe­las frondosas árvores de castanheiras que o embelezava em toda a sua extensão, por isso os habitantes de suas margens passaram a chamá-lo de Igarapé Castanhal.

Importante muito depois, quando passou a dividir ao meio a cidade que já cami­nhava aceleradamente para o progresso. Apesar da devasta­ção sofrida, ainda existem algumas dessas árvores que ser­vem muito bem para eliminar certas dúvidas quanto à origem do nome do município. Portanto, o Igarapé Castanhal, um patrimônio que cada castanhalense do presente e do futuro está ou estará na obrigação de lutar pela sua preservação, pois dele nasceu o município.

Na então época ainda não haviam sido concluídos os tra­balhos de demarcações dos lotes que formavam os núcleos coloniais determinado pela lei Imperial de nº. 814, promulga­da por D. Pedro II, cuja finalidade era de resolver os proble­mas que existiam quanto ao povoamento das áreas desabita­das do Pará. No entanto, esse trabalho já havia sido iniciado no ano anterior com o objetivo de localizar um bom número de famílias americanas que chegava aproximadamente a mil pessoas. Esses americanos vieram como refugiados da Guer­ra de Secessão. Conflito esse que motivou a divisão do Nor­te e do Sul dos Estados Unidos durante os anos de 1861 á 1865.

Essas famílias não chegaram a se fixar em solo casta­nhalense, por motivo de não se adaptarem às condições climáticas da região, por isso, preferiram seguir para outra região onde hoje se localiza a cidade de Santarém.

Mais tarde, em cumprimento a referida lei o primeiro núcleo colonial a ter suas terras demarcadas, foi o denominado “Nossa Senhora do Carmo de Benevides”, localizado justamente em uma zona cujo Projeto de Colonização se cobriu de êxito na sua aplicação - a Zona Bragantina, da qual já se fa­lou. Aliás, Bragança já existia desde a época da Capitania, tendo sido elevada à categoria de cidade por ocasião da criação da Província do Grão-Pará. Mesmo assim, Bragança não progredia tanto, devido as dificuldades com referência ao meio de transporte pois tudo se fazia por via marítima, isto é, atra­vés do rio Caeté pelo qual é banhada.

Para que pudesse haver melhor intercâmbio entre essa cidade e a Capital, ou seja, por via terrestre e conseqüente­mente o resto dos povoados incluindo Castanhal, passou a ser aproveitada a então área inculta que servia de ligação entre as duas cidades. Nessa área passava o agreste, caminho que muitas vezes era roçado e alargado por seus usuários; de­pois passou a ser denominado de “Caminho do Maranhão”, por iniciar na localidade chamada “Aura” no Pará e terminar numa decadente aldeia maranhense conhecida por “Tapuitapera” (depois cidade de Alcântara, que hoje é uma das mais importantes do Estado do Maranhão).

Segundo, esse caminho fôra aberto pelos índios Tupinam­bás e muitas vezes percorrido pelo grande explorador da Ama­zônia, Pedro Teixeira. Depois, utilizado pelos comerciantes de gado bovino que traziam do Maranhão e Piauí, a fim de abas­tecer Belém, pois na então época o Marajó não supria a necessidade da Capital.

A condução desse gado e de outros pequenos produtos das referidas Capitanias, depois Províncias, era feita a pé em todo o percurso desse caminho algo que deu margem a des­coberta dós “Campos de Castanhal”, que segundo nada mais era do que as áreas tomadas por um certo tipo de vegetação em forma de campina que apesar de não muito profícua, de qualquer forma servia para melhorar as condições do gado que emagrecia em conseqüência da longa caminhada. Assim, acampavam aqui e acolá e justamente nessas áreas, era onde se faziam as pousadas mais demoradas provocando, portanto, por parte dos viandantes, a denominação acima referida.

Não só essa parte contribuiu para o povoamento dessa zona, principalmente do núcleo Castanhal, como também a grande seca sofrida pelo Ceará, nos anos 1889, 1890 e 1891, que motivou a vinda de aproximadamente 270 colonos nordestinos, para povoar os lotes agrícolas que ha­viam sido demarcados pelo engenheiro João dos Passos Da­masceno, enviado pelo Presidente Interino da Província, Dr. José de Araújo Roso Danin, ainda no regime Monarquista, por sugestão do Capitão Tenente Francisco Calheiros da Graça, na época, Superintendente da Estrada de Ferro de Bragança, com a sua construção paralisada no lugar denominado “Ita­qui”, nome esse que permanece até nossos dias, sendo às pro­ximidades de Apeú.

A Estrada, segundo o balancete apresentado e publicado em “O Diário do Grão-Pará”, de 07-07 de 1886, dava como Re­ceita a quantia de Quatrocentos e Noventa Mil, Duzentos e Oi­tenta Réis e como Despesa, Doze Contos, Quarenta e Um Mil Duzentos e Trinta Réis. Resultado que não correspondia jus­tamente pela sua paralisação no mencionado lugar.

Foi, portanto, através dessa exposição que novos horizon­tes se abriram para Castanhal, ou melhor, para um pequeno po­voado que ainda se escondia por entre matas virgens rasga­das de ponta a ponta por um rústico caminho ou vereda, mas que já servia de comunicação entre as demais e pequenas vizinhanças. Era Castanhal, que nascia a partir dessa bendita exposição, quando o Comandante Calheiros da Graça, inconfor­mado e bastante otimista, não recuou e acreditando no futuro das novas terras, visando certamente o povoamento do Nú­cleo, que deveria ser demarcado exatamente nos “Campos de Castanhal”. Para isso, fez com que fosse criada a Repartição de Obras Públicas, Terras e Colonização, através do Dec. nº 364, de julho de 1891.

O Diretor desse órgão, não perdendo tempo, logo nomeou para Administrador do Núcleo Castanhal, o Major da Guarda Nacional, Antonio Marcelino Cardoso Barata. Houve outros, que também se destacaram a frente do núcleo como: John Misael, Segismund Von Paungartten e Agostinho Autran. No entanto, de princípio o desejo de Calheiros, não se concretizou devido sérios problemas que surgiram como: falta de verba, a febre amarela que na então época, se desenvolvia, fazendo com que algumas famílias de imigrantes abandonassem a re­gião e em conseqüência, a suspensão por parte do Governo Provinciano, dos trabalhos de demarcações e inclusive a conclusão da estrada de ferro de Bragança.

Quando parecia que tudo estava consumado, Marcelino, o grande Marcelino, cheio de fé e coragem com a coadjuvação do agrimensor Eustógio de Oliveira Lima, resolveu dar prosse­guimento ao magnífico trabalho de localização dos colonos conduzidos de várias regiões do Nordeste principalmente os tangidos pela seca do Ceará, como se expressou o grande co­laborador e pesquisador Pergentino Moura: desses heróis nordestinos, que às margens do velho e varadouro, caminho que dada à sua característica rústica recebera várias deno­minações como “Caminho do Diabo”, “Caminho Tupinambá”, pela participação dos índios Tupinambás na sua abertura e “Caminho do Maranhão”, por ligar Belém a São Luiz. Toma­ram a si o povoamento de uma zona desprezada pelos antigos colonizadores do Pará, apavorados com a sua insalubridade. Que não tinham sobroço dos castigos de Deus por confiarem na religião Católica, a salvadora, que podia livrá-los do mau prognóstico que pairava sobre a colonização. Conseguiram vencer todos os obstáculos, dando assim o início do desenvolvimento desse pedaço de solo amazônico e brasileiro que muito tinha a dar pela frente.

No começo de 1616, Francisco Caldeira Castelo Branco, logo após ter conquistado o Pará, no desejo de mandar boas notícias do que acabara de conquistar ao então governador do Maranhão, Alexandre de Moura, incumbiu tal missão, que se­ria levada por terra, ao grande bandeirante Pedro Teixeira. No cumprimento fiel de sua missão Teixeira; em muitos momen­tos teve que enfrentar alguns índios provavelmente os tupi­nambás vencendo todas às vezes juntamente com seus co­mandos. Não foi, portanto, fácil a tarefa de Pedro Teixeira. Mas com a ajuda divina, confiou em si e em seus homens e então partiu para a Capitania vizinha apesar de todos os obstácu­los, lá chegou e deu o dito recado.

Esse feito heróico de Pedro Teixeira contribuiu muitíssi­mo para a formação das povoações ao longo de um agreste caminho que cedo ou tarde haveria de chegar às condições daquilo que já se falou: a zona de maior densidade demográ­fica do Estado do Pará - a Zona Bragantina. Ao longo de um caminho onde todos os produtos ou cereais das pequenas co­lônias, eram conduzidos por meio de carros puxados a bois e burros, pois na então época, ainda não havia carro motorizado. Muitos carregavam seus pequenos produtos em baús às cos­tas e na cabeça.

Segundo alguns remanescentes, desse tipo de condução se originou o nome de Apeú; vejamos como: aqueles que par­tiam do núcleo de Apeú com seus baús, ao chegarem no Nú­cleo Castanhal, eram logo interrogados de onde vinham e co­mo. Respondiam: “lá da outra colônia”. A pé? “Sim”. “Hú! Co­mo é longe”. E isso foi pegando até que chegou ao ponto dos agrimensores que estavam trabalhando nos preparativos para o prosseguimento da estrada de ferro, transformarem mesmo em tom de brincadeira, num nome que passou a ser levado a sério, até nossos dias.

APEÚ (hoje Distrito de Castanhal), segundo sua coloniza­ção se procedeu juntamente com a de sua futura sede municipal. Seu desenvolvimento começou mesmo pela metade do ano de 1883, quando se iniciou a execução do Projeto de construção da ferrovia que ligaria Belém à Bragança. Dois anos depois 1885, os trilhos chegaram na localidade de ITAQUI às proximidades do então Núcleo de Apeú, totalizando portanto 60 quilômetros. Aliás, esse trabalho arrojado, fôra comandado por um dos heróis nordestinos o coronel Antonio de Souza Leal, que mais tarde juntamente com o tenente Alfredo Marques de Oliveira e outros, chegou a grande e respeitado chefe político da terra, como Intendente (cargo equivalente hoje ao de Prefeito), era uma nomeação ou cargo de confiança que o Governo outorgava somente àqueles que prestavam relevantes serviços à comunidade.

Esse projeto, não foi totalmente concluído tendo sido suspenso por tempo indeterminado pelo Governo Provinciano, motivado pela falta de verba e outras coisas mais que resultaram na publicação de um Relatório em “O Diário do Grão-Pará”, datado de 24-06-1891, já no período Republicano, inscrito pelo capitão e chefe da Inspetoria Geral de Terras e Colonização do Estado do Pará, José Maria do Nascimento. Relatório esse, que encorajava o Governo a continuar com o referido Projeto pois o Capitão Nascimento, alegava que não se podia parar uma vez que o Núcleo já apresentava todas as condições para tal dado o seu acelerado desenvolvimento.

O núcleo de Apeú teve tudo para se desenvolver rapida­mente, só não acontecendo porque as famílias de imigrantes portugueses que foram destinadas ao núcleo a fim de desen­volver a agricultura e outros meios, conforme acordo firmado em Portugal com uma Empresa paraense, desistiram. Não che­garam, portanto, a se fixar no núcleo, alegando o não cumpri­mento do referido acordo por parte dos paraenses, apesar da ajuda financeira que o Governo havia proporcionado à dita Em­presa para a conclusão desse trabalho.

Finalmente, a causa principal desse fracasso, foi sem dúvida a péssima administração que o núcleo possuía na então época.

 

 

 

 
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