Em 1902, o então Governador Dr. AUGUSTO MONTENEGRO, certamente visando controlar melhor a produção da região, achou que o melhor meio seria centralizar tudo e para isso, dividiu a área pertencente a Castanhal, em sete colônias: “José de Alencar” que corresponde hoje ao (centro da cidade), Anita Garibaldi, Ianetama, Iracema, Inhangapi, Antonio Baena e Marapanim. Mas, isso ainda não satisfazia o desejo do então governo para ele, precisaria mais um pouco de mão-de-obra a fim de elevar a referida produção. Com esse objetivo, em 1903, foi firmado um acordo com o governo da Espanha que permitiu a vinda de famílias espanholas para dar melhor desenvolvimento à agricultura local. Essas famílias receberiam em troca toda a assistência técnica e material.
Tal iniciativa, não surtiu efeito, pois os espanhóis não se adaptaram as condições climáticas da região e com isso, voltaram ao seu país.
Mesmo diante de todas essas tentativas as quais sem êxito porque antes, se teve o exemplo dos americanos que também não se adaptaram ao clima e de outros povos que não tiveram sorte em suas aventuras no então núcleo. Castanhal continuava dando a prova de que teria condições de progredir com o esforço de sua própria gente, constituída sem dúvida em sua maioria, por aqueles que mesmo abatidos pelo sofrimento de uma terrível seca, se sujeitaram às condições lhes impostas, aceitaram o grande desafio e tudo deu certo, quando nessa promissora terra chegaram e confirmaram o título de verdadeiros heróis; referimo-nos aos Imigrantes nordestinos, os autênticos responsáveis por tudo que Castanhal hoje representa.
Eis alguns dos mais antigos que escolhemos como símbolos principais desse grande feito: Coronel Leal, Tenente Alfredo Marques, Pompílio Jucá, Padre Luiz Leitão, Honório Bandeira, Miguel Florêncio, Francisco P. de Lima, Angelo Custódio, Joaquim Pismel, Pedro Leão Cardoso, João Coelho, Eufrasino Andrade Chagas Pereira. Esses, portanto, simbolizaram aproximadamente três centenas de nordestinos que ao chegarem a Castanhal (ainda Núcleo), de princípio, encontraram bastante dificuldades para recomeçarem suas vidas. No entanto, com muito amor e dedicação a nova terra descoberta, garra e persistência, conseguiram vencer todos os obstáculos dando início assim a um trabalho magnífico, que consumiu pouco tempo para surtir seu efeito.
Esse trabalho perfeito resultou na incorporação do então território de Castanhal, ao município de Belém, através da lei nº. 957, de 01-11-1905.
A conclusão da Estrada de Ferro de Bragança, que aconteceu a 01-12-1900, constituiu-se num dos fatos mais importantes do Governo do Dr. AUGUSTO MONTENEGRO, ainda na 1ª. República 1889-1930. Algo, que beneficiaria não só a então Vila de Castanhal, mas grande parte da população Paraense. Pois naquela altura, a Zona Bragantina, já caminhava para aquilo que já se falou: a zona de maior densidade demográfica do Estado. E Castanhal, sem dúvida já fazia jus a esse benefício. Visto que, o próprio Governo, reconhecendo isso, tratou logo de mandar construir algumas obras importantes como: a Estação Ferroviária, cujo lançamento da pedra fundamental ocorreu em 02 de maio de 1904, sendo inaugurada em 15 de agosto de 1909. Depois, através do Decreto nº. 1.276, de 06-02-1904, criou o Grupo Escolar da Vila. No mesmo Decreto, nomeou para seu primeiro Diretor o Revmo. padre Luiz de Souza leitão e também, para suas auxiliares as normalistas: Amélia Joaquina de Souza, Maria lavareda da Rocha, Anna Oliveira de Vasconcellos e Ceciliana Maria da Cruz Carvalho. A sua inauguração deu-se a 12-10-1904. Também, teve início a construção da Igreja Matriz, sob a direção do padre leitão, sendo ele, portanto o primeiro Pároco de Castanhal.
Essas importantes obras deram um impulso enorme no desenvolvimento da vila. Fazendo com que seu povo a partir daí, passasse a lutar mais ainda por algo muito mais importante: a autonomia municipal. Por sinal esse desejo já se fazia presente no povo castanhalense, desde quando o Governador AUGUSTO MONTENEGRO, dividiu a região em colônias conforme explicação anterior.
A incorporação das áreas pertencentes á Vila de Castanhal, ao patrimônio municipal de Belém, em obediência a Lei nº. 957, de 01-11-1905, provocou o descontentamento geral no povo e isso aconteceu justamente na época em que no Sul do País, já se pregava o municipalismo. Para os castanhalenses, só restava algo a fazer, ou seja, aderir à luta e assim se fez com a influência dos grandes chefes políticos como Ten. Alfredo Marques, Cel. Leal, Eufrasino de Andrade e outros.
Quem mais se destacou nessa luta foi o Ten. Alfredo, que na época, ocupava o cargo de Intendente da Vila (cargo esse, equivalente ao de Prefeito hoje).
Mesmo sofrendo as conseqüências de um período bastante agitado pelo qual o nosso País atravessava: o da República Velha (desde a promulgação da Constituição de 1891 até 1930) com a deposição do Presidente WASHINGTON LUIS. Exemplificando com um dos quatriênios mais agitados dessa República que foi o da Presidência de ARTUR DA SILVA BERNARDES (1922-1926). Quando muitos Estados se levantaram contra o predomínio político dos Paulistas e Mineiros, através da política cafeeira ou café-com-leite. Tais levantes contra o Presidente resultaram na Revolução de 1924, que estourou - em São Paulo, sob a chefia do general Isidoro Dias Lopes -. ARTUR BERNARDES, ajudado por sua grande virtude: ser enérgico, não cedeu as pressões a seu governo. Conseguindo concluir seu mandato embora, mantendo o País, sob estado de sítio durante quase todo o período de seu governo.
Depois, a Presidência de WASHINGTON LUIS PEREIRA (1926-1930) e a crise econômica de 1929 que iniciou nos Estados Unidos e acabou se estendendo pelo mundo inteiro afetando bastante o comércio brasileiro do café, que era o nosso maior produto de exportação. O agravamento dessa crise fez com que o então Presidente fosse deposto acontecendo a 24-10-1930. Poucos dias depois, ou seja, a 03-11-1930, assumia o Poder o Dr. GETÚLIO DORNELES VARGAS. Com a posse de Vargas, terminava a República Velha e começava um novo período Republicano ou a 2ª. República. Também o Período Getulista, como ficou assim conhecido. Diante, portanto, de todos esses momentos difíceis, o povo castanhalense, não desistia da luta pela sua Emancipação Política.
GETÚLIO VARGAS, ao assumir o poder ainda como Chefe do Governo Provisório, encontrou vários problemas que precisavam ser imediatamente solucionados e o mais sério era o do café, com sua queda de preço no mercado internacional. Também, a crise do desemprego. Seu primeiro ato foi assumir plenos poderes suspendendo a Constituição de 1891. Com isso, dirigentes de vários Estados, municípios e Órgãos federais foram afastados e substituídos por interventores nomeados pelo Chefe do Governo Provisório.
No Pará, foi nomeado o 1° Tenente JOAQUIM DE MAGALHÃES CARDOSO BARATA, o qual estabeleceu o “Partido Liberal", depois, é fundado o partido de “Frente Única”. No seu governo, estoura em São Paulo a revolução constitucionalista de 1932. Com as coisas muito tumultuadas, Getúlio envia o major CARNEIRO DE MENDONÇA, para restabelecer a ordem e em seguida, foi eleito pelo Congresso o Dr. JOSÉ CARNEIRO DA GAMA MALCHER, para governar o Pará. Malcher governou com justiça, bondade e sem compromissos políticos.
A 10-11-1937, era decretada nova Constituição Federal, por Getúlio Vargas e em seguida Malcher era nomeado Interventor do Pará. Para evitar que Getúlio (o Ditador) desse um novo golpe de Estado a exemplo de 1937, os líderes militares decidiram derrubá-lo do poder. Assim, a 29-10-1945, Getúlio foi afastado assumindo a Presidência da República, o Dr. JOSÉ LINHARES (presidente do Supremo Tribunal Federal). Terminava assim, mais um período de governo: o ESTADO NOVO (1937-1945). Nesse sistema de governo, foram extintos todos os legislativos como: Congresso Nacional, Assembléias Estaduais e Câmaras de Vereadores. Voltando os Estados e Municípios a ser governados por interventores nomeados pelo governo federal. |