FacebookTwitter Youtube Feed
Topo
SOBRE CASTANHAL
Nossa Cidade

Cidade pólo a 65 quilômetros de Belém (Pará), Castanhal está entre as cinco principais cidades do Estado e figura como uma espécie de metrópole da região Nordeste do Pará. Só nos últimos dois anos, o município teve um grande salto na melhoria da qualidade de vida da população.

São investimentos maciços nas áreas de educação, saúde, saneamento, agricultura, esportes, urbanização e principalmente na geração de emprego e renda com a implantação do Pólo Industrial de Castanhal que, em breve, será um dos maiores da região Norte do País.

A cidade modelo tem privilegiada posição geográfica no mapa do Pará, sendo cortada pela rodovia federal BR-316 – a principal via de ligação entre a capital paraense e as regiões Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul, item indispensável para o escoamento da produção.

Além disso, está há um pouco mais de 60 quilômetros de distância do porto, aeroporto e da Alça Viária, na região metropolitana de Belém.

Consciente de todo esse potencial, a Prefeitura de Castanhal em seu planejamento estratégico para o desenvolvimento municipal vem investindo na realização deste projeto, que prevê a transformação de um espaço de 173 hectares em uma das maiores áreas industriais do Norte do Brasil.

O Pólo Industrial de Castanhal está sendo implantado em uma área privilegiada às margens da PA-10, a cerca de cinco quilômetros de distância da sede do município. A Prefeitura realizará toda a infra-estrutura necessária para a instalação das empresas como: iluminação pública, sistema de água e telefone, além da doação de lotes e a isenção de impostos, como IPTU e ISS, para empresas que queiram se instalar no município e contratar mão-de-obra local. O pólo contará ainda com um Hangar e uma pista de pouso para aeronaves de pequeno porte.

Aniversário 28 de janeiro
Fundação 1932
Gentílico castanhalense
Características geográficas
Área 1.029,191 km²
População 159.110 hab. est. IBGE/2008
Densidade 147,8 hab./km²
Altitude 41 metros
Clima Equatorial Am
Fuso horário UTC-3
Indicadores
IDH 0,746 médio PNUD/2000
PIB R$ 717.508 mil IBGE/2005
PIB per capita R$ 4.635,00 IBGE/2005

 

De Vila à Município: 1899 - 1932

O desenvolvimento do Núcleo de Castanhal começou mesmo a partir do momento em que o Governo decidiu dar início à execução do tão discutido e até mesmo desacreditado por alguns homens da Província, Projeto de construção da ferrovia que ligaria Belém e Bragança, cuja obra conforme a região passou a ser chamada de Estrada de Ferro de Bragança.

Em 1885, os trilhos chegaram à localidade de ITAQUI às proximidades de APEÚ, graças ao incansável trabalho desenvolvido por um dos heróis, que para essa promissora terra se deslocara como parte integrante da imigração nordestina, o coronel ANTONIO DE SOUZA LEAL, a quem o Governo confiara o comando de tão importante obra.

Levando-se em consideração alguns dos problemas que afetara a Província, como por exemplo, a falta de verbas, a epidemia da febre amarela que se propagava por toda a região, esta última, principalmente, fez com que o Governo suspendesse por tempo indeterminado a referida obra. Mesmo assim, sua paralisação não impediu o crescimento do núcleo, pois tanto o comércio como a sua agricultura, mesmo rude e com toda essa crise, se desenvolviam aceleradamente isto, a proporção que aumentava o número de famílias as quais se fixavam na esperança de que os trilhos chegassem a esse local ou mesmo a conclusão total da estrada. Muitas dessas famílias, é claro, se refugiaram com medo da doença que se alastrava para as demais, preferiram correr o grande risco alimentando as esperanças de dias melhores.

Esse crescimento acelerado mesmo acompanhado dos maus momentos fez com que o então Núcleo, levasse pouco tempo para se transformar na próspera Vila.

A chegada dos trilhos, que muitos já não acreditavam mais, deu um impulso espetacular para esse acontecimento. Portanto, 76 anos depois da Proclamação da Adesão do Pará à Independência do Brasil e cinco meses antes da Proclamação da República, o Núcleo de Castanhal, por força da Lei nº. 646, de 06-06-1899, passou a categoria de Vila. Sua instalação solene só deu-se a 15-08-1901, justamente na data comemorativa a Adesão do Pará à Independência, como também, já no regime Republicano.

Em 1902, o então Governador Dr. AUGUSTO MONTENEGRO, certamente visando controlar melhor a produção da região, achou que o melhor meio seria centralizar tudo e para isso, dividiu a área pertencente a Castanhal, em sete colônias: “José de Alencar” que corresponde hoje ao (centro da cidade), Anita Garibaldi, Ianetama, Iracema, Inhangapi, Antonio Baena e Marapanim. Mas, isso ainda não satisfazia o desejo do então governo para ele, precisaria mais um pouco de mão-de-obra a fim de elevar a referida produção. Com esse objetivo, em 1903, foi firmado um acordo com o governo da Espanha que permitiu a vinda de famílias espanholas para dar melhor desenvolvimento à agricultura local. Essas famílias receberiam em troca toda a assistência técnica e material.

Tal iniciativa, não surtiu efeito, pois os espanhóis não se adaptaram as condições climáticas da região e com isso, voltaram ao seu país.

Mesmo diante de todas essas tentativas as quais sem êxito porque antes, se teve o exemplo dos americanos que também não se adaptaram ao clima e de outros povos que não tiveram sorte em suas aventuras no então núcleo. Castanhal continuava dando a prova de que teria condições de progredir com o esforço de sua própria gente, constituída sem dúvida em sua maioria, por aqueles que mesmo abatidos pelo sofrimento de uma terrível seca, se sujeitaram às condições lhes impostas, aceitaram o grande desafio e tudo deu certo, quando nessa promissora terra chegaram e confirmaram o título de verdadeiros heróis; referimo-nos aos Imigrantes nordestinos, os autênticos responsáveis por tudo que Castanhal hoje representa.

Eis alguns dos mais antigos que escolhemos como sím­bolos principais desse grande feito: Coronel Leal, Tenente Alfredo Marques, Pompílio Jucá, Padre Luiz Leitão, Honório Bandeira, Miguel Florêncio, Francisco P. de Lima, Angelo Custódio, Joaquim Pismel, Pedro Leão Cardoso, João Coelho, Eufrasino Andrade Chagas Pereira. Esses, portanto, simbolizaram aproximadamente três centenas de nordestinos que ao chegarem a Castanhal (ainda Núcleo), de princípio, encontraram bastante dificuldades para recomeçarem suas vidas. No entanto, com muito amor e dedicação a nova terra descoberta, garra e persistência, conseguiram vencer todos os obstáculos dando início assim a um trabalho magnífico, que consumiu pouco tempo para surtir seu efeito.

Esse trabalho perfeito resultou na incorporação do então território de Castanhal, ao município de Belém, através da lei nº. 957, de 01-11-1905.

A conclusão da Estrada de Ferro de Bragança, que aconteceu a 01-12-1900, constituiu-se num dos fatos mais importantes do Governo do Dr. AUGUSTO MONTENEGRO, ainda na 1ª. República 1889-1930. Algo, que beneficiaria não só a então Vila de Castanhal, mas grande parte da população Paraense. Pois naquela altura, a Zona Bragantina, já caminhava para aquilo que já se falou: a zona de maior densidade demográfica do Estado. E Castanhal, sem dúvida já fazia jus a esse benefício. Visto que, o próprio Governo, reconhecendo isso, tratou logo de mandar construir algumas obras importantes como: a Estação Ferroviária, cujo lançamento da pedra fundamental ocorreu em 02 de maio de 1904, sendo inaugurada em 15 de agosto de 1909. Depois, através do Decreto nº. 1.276, de 06-02-1904, criou o Grupo Escolar da Vila. No mesmo Decreto, nomeou para seu primeiro Diretor o Revmo. padre Luiz de Souza leitão e também, para suas auxiliares as normalistas: Amélia Joaquina de Souza, Maria lavareda da Rocha, Anna Oliveira de Vasconcellos e Ceciliana Maria da Cruz Carvalho. A sua inauguração deu-se a 12-10-1904. Também, teve início a construção da Igreja Matriz, sob a direção do padre leitão, sendo ele, portanto o primeiro Pároco de Castanhal.

Essas importantes obras deram um impulso enorme no desenvolvimento da vila. Fazendo com que seu povo a partir daí, passasse a lutar mais ainda por algo muito mais importante: a autonomia municipal. Por sinal esse desejo já se fazia presente no povo castanhalense, desde quando o Governador AUGUSTO MONTENEGRO, dividiu a região em colônias conforme explicação anterior.

A incorporação das áreas pertencentes á Vila de Castanhal, ao patrimônio municipal de Belém, em obediência a Lei nº. 957, de 01-11-1905, provocou o descontentamento geral no povo e isso aconteceu justamente na época em que no Sul do País, já se pregava o municipalismo. Para os castanhalenses, só restava algo a fazer, ou seja, aderir à luta e assim se fez com a influência dos grandes chefes políticos como Ten. Alfredo Marques, Cel. Leal, Eufrasino de Andrade e outros.

Quem mais se destacou nessa luta foi o Ten. Alfredo, que na época, ocupava o cargo de Intendente da Vila (cargo esse, equivalente ao de Prefeito hoje).

Mesmo sofrendo as conseqüências de um período bastan­te agitado pelo qual o nosso País atravessava: o da República Velha (desde a promulgação da Constituição de 1891 até 1930) com a deposição do Presidente WASHINGTON LUIS. Exemplificando com um dos quatriênios mais agitados dessa República que foi o da Presidência de ARTUR DA SILVA BERNARDES (1922-1926). Quando muitos Estados se levantaram contra o predomínio político dos Paulistas e Mineiros, através da política cafeeira ou café-com-leite. Tais levantes contra o Presidente resultaram na Revolução de 1924, que estourou - em São Paulo, sob a chefia do general Isidoro Dias Lopes -. ARTUR BERNARDES, ajudado por sua grande virtude: ser enérgico, não cedeu as pressões a seu governo. Conseguindo concluir seu mandato embora, mantendo o País, sob estado de sítio durante quase todo o período de seu governo.

Depois, a Presidência de WASHINGTON LUIS PEREIRA (1926-1930) e a crise econômica de 1929 que iniciou nos Estados Unidos e acabou se estendendo pelo mundo inteiro afetando bastante o comércio brasileiro do café, que era o nosso maior produto de exportação. O agravamento dessa crise fez com que o então Presidente fosse deposto acontecendo a 24-10-1930. Poucos dias depois, ou seja, a 03-11-1930, assumia o Poder o Dr. GETÚLIO DORNELES VARGAS. Com a posse de Vargas, terminava a República Velha e começava um novo período Republicano ou a 2ª. República. Também o Período Getulista, como ficou assim conhecido. Diante, portanto, de todos esses momentos difíceis, o povo castanhalense, não desistia da luta pela sua Emancipação Política.

GETÚLIO VARGAS, ao assumir o poder ainda como Chefe do Governo Provisório, encontrou vários problemas que precisavam ser imediatamente solucionados e o mais sério era o do café, com sua queda de preço no mercado internacional. Também, a crise do desemprego. Seu primeiro ato foi assumir plenos poderes suspendendo a Constituição de 1891. Com isso, dirigentes de vários Estados, municípios e Órgãos federais foram afastados e substituídos por interventores nomeados pelo Chefe do Governo Provisório.

No Pará, foi nomeado o 1° Tenente JOAQUIM DE MAGA­LHÃES CARDOSO BARATA, o qual estabeleceu o “Partido Liberal", depois, é fundado o partido de “Frente Única”. No seu governo, estoura em São Paulo a revolução constitucionalista de 1932. Com as coisas muito tumultuadas, Getúlio envia o major CARNEIRO DE MENDONÇA, para restabelecer a ordem e em seguida, foi eleito pelo Congresso o Dr. JOSÉ CARNEIRO DA GAMA MALCHER, para governar o Pará. Malcher go­vernou com justiça, bondade e sem compromissos políticos.

A 10-11-1937, era decretada nova Constituição Federal, por Getúlio Vargas e em seguida Malcher era nomeado Interventor do Pará. Para evitar que Getúlio (o Ditador) desse um novo golpe de Estado a exemplo de 1937, os líderes militares decidiram derrubá-lo do poder. Assim, a 29-10-1945, Getúlio foi afastado assumindo a Presidência da República, o Dr. JOSÉ LINHARES (presidente do Supremo Tribunal Federal). Terminava assim, mais um período de governo: o ESTADO NOVO (1937-1945). Nesse sistema de governo, foram extintos todos os legislativos como: Congresso Nacional, Assembléias Estaduais e Câmaras de Vereadores. Voltando os Estados e Municípios a ser governados por interventores nomeados pelo governo federal

 

Ex-Prefeitos

Comandante Francisco Rodrigues de Assis
1932 – 1935
Nomeado

Alberto Ribeiro Pinheiro
1935 – 1936
Nomeado

Maximino Porpino da Silva
1936 – 1942
Eleito - Primeiro Prefeito Constitucional de Castanhal

 

Francisco Alves de Magalhães
1943 – 1944
Nomeado

Raimundo Lopes Brasil
1944 – 1945
Nomeado

Leão Hausler Delgado
1947
Nomeado

Hernani Lameira da Silva
1946 – 1950
Eleito

Orvácio Bastos
1950 – 1951
Era vice de Hernani Lameira, tendo assumido após a morte do seu titular

 

João Soares de Melo
1951 – 1954
Eleito

 

Vicente Pereira Lima
1955 – 1958
Eleito

Lourenço Alves de Lemos
1959 – 1962
Eleito

Maximino Porpino Filho
1963 – 1965
Eleito

Álvaro Menezes da Silva
1965 – 1966
Interventor

 

Pedro Coelho da Mota
1967 – 1970
Eleito

Almir Tavares Lima
1971 – 1972
Eleito

José Espinheiro de Oliveira
1973 – 1976
Eleito

Almir Tavares Lima
1977 – 1982
Eleito

 

Paulo Sérgio Rodrigues Titan
1983 – 1988
Eleito

José Soares da Silva
1989 – 1992
Eleito

José Ferreira Nobre
1993 – 1996
Eleito

Paulo Sérgio Rodrigues Titan
1997 – 2000
Eleito

 

Paulo Sérgio Rodrigues Titan
2001 – 2004
Reeleito

Hélio Leite da Silva
2005 - 2008
Eleito

Hélio Leite da Silva
2009 - 2012
Reeleito

Paulo Sérgio Rodrigues Titan
2013 - 2016
Reeleito
     
A Cabanagem: 1835 - 1836

A Cabanagem, segundo o Catedrático Dionísio Hage, em seu livro HISTÓRIA DO PARA publicado em 1962, foi a grande guerra civil, que abalou a terra paraense na primeira metade do século XIX. As causas para este movimento foram 06 (seis):

1 - A exaltação sem limites dos partidos ou facções políticas, pois na época existiam dois partidos: o CARAMURUS, que lutava pelo retorno do Brasil à dependência de Portugal; o segundo era dos FEDERALISTAS FILANTRÓPICOS, que lutava pela manutenção de nossa emancipação.

2 - A fraqueza ou os excessos das autoridades constituídas.

3 - A luta entre a Maçonaria e o Clero.

4 - A insubordinação da força armada.

5 - O ódio dos brasileiros de cor (pretos, mulatos, mamelucos, etc.) aos portugueses.

6 - Os contínuos motins que desde a Independência abalaram o poder.

A 7 de janeiro de 1835 o tenente-coronel Félix Antonio Clemente Malcher, assumia a presidência da Província do Grão.Pará. No dia 12 do mesmo mês e ano, prestava solenemente o compromisso de o Império e a Província manterem as liberdades' constitucionais e executarem as leis.

O segundo Presidente Cabana foi Francisco Pedro Vina­gre, que assumiu a 2 de março de 1835. No dia 28 de abril de 1835 é composta a primeira assembléia Provincia1.

O terceiro e último Presidente Cabano, foi Eduardo Fran­cisco Nogueira Angelim, cearense de Aracati, que com a ida­de de 21 anos foi aclamado Presidente. Juntamente com os irmãos Vinagre e seu irmão Manuel Nogueira, a 14 de agosto de 1835, invadiram Belém. Na marcha vitoriosa, Antonio Vina­gre é atingido por um tiro no Largo das Mercês. Com sua morte assume o comando Eduardo Angelim que em seguida se apossa do Palácio do Governo e do Arsenal de Guerra.

A 25 de agosto exige a libertação dos presos, inclusive de sua esposa D. Luisa Clara Angelim sendo atendido. Chegou até a oferecer o governo antes de assumir, aos padres Jerônimo Pimentel e Tomás Nogueira Picanço, que eram deputados provinciais eleitos, como estes se recusaram, ele assumiu.

A 9 de abril de 1836, chegava a Tutuoca (que significava casa de tatu, um segundo governo estabelecido pelo marechal Rodrigues, por ter sido desmoralizado pelos cabanos), o general José Soares Andrea, que assume a presidência da Província o qual teve a glória de organizar a Província do Grão­Pará. No seu governo a 29 de março de 1838 era instalada a primeira Assembléia Legislativa da Província. Andrea foi também o pacificador da Cabanagem, falecendo a 2 de outubro de 1858. Enquanto que Eduardo Angelim foi preso no Acará e transferido para o presídio da ilha de Fernando de Noronha.

Estava assim terminada a guerra civil que abalou o Pará, de janeiro de 1835 a maio de 1836.

Foi, portanto, sob esse clima de certa intranqüilidade que política, econômica e socialmente falando que o povo brasileiro e particularmente o paraense vivia, que surgiu a idéia da necessidade de colonização das áreas até então consideradas improdutíveis e entre elas, estava a que comportava o maior número de núcleos coloniais a localizada na Província do Grão­Pará e que passou a se chamar Zona Bragantina, não só porque ligava a Capital com a cidade de Bragança, mas, também, porque previam seus colonizadores que mais tarde a mesma se transformaria na zona de maior densidade demográfica do interior paraense e isso realmente aconteceu.

CASTANHAL, mesmo provando uma existência de séculos, incluído nos que antes foram experimentados por diversos povos como portugueses, italianos, holandeses, espanhóis, americanos, africanos e outros provavelmente segundo todos sem êxito em suas pretensões, só começou mesmo a ser levado a sério sua exploração já por volta de 1874, quando seus exploradores iniciaram através do rio Guamá-Guajará que ao descerem por este, encontraram outro grande e futuroso rio, o Inhangapí, e mais à frente um de seus maiores afluentes o rio Apeú, que às suas margens, começara a surgir as primeiras habitações até mesmo às margens dos pequenos igarapés que deles nasciam. Bem distante do Rio Apeú, ainda se faz presente o grande córrego, mais tarde se tornou importante pelas frondosas árvores de castanheiras que o embelezava em toda a sua extensão, por isso os habitantes de suas margens passaram a chamá-lo de Igarapé Castanhal.

Importante muito depois, quando passou a dividir ao meio a cidade que já cami­nhava aceleradamente para o progresso. Apesar da devasta­ção sofrida, ainda existem algumas dessas árvores que servem muito bem para eliminar certas dúvidas quanto à origem do nome do município. Portanto, o Igarapé Castanhal, um patrimônio que cada castanhalense do presente e do futuro está ou estará na obrigação de lutar pela sua preservação, pois dele nasceu o município.

Na então época ainda não haviam sido concluídos os trabalhos de demarcações dos lotes que formavam os núcleos coloniais determinado pela lei Imperial de nº. 814, promulgada por D. Pedro II, cuja finalidade era de resolver os problemas que existiam quanto ao povoamento das áreas desabitadas do Pará. No entanto, esse trabalho já havia sido iniciado no ano anterior com o objetivo de localizar um bom número de famílias americanas que chegava aproximadamente a mil pessoas. Esses americanos vieram como refugiados da Guerra de Secessão. Conflito esse que motivou a divisão do Norte e do Sul dos Estados Unidos durante os anos de 1861 á 1865.

Essas famílias não chegaram a se fixar em solo castanhalense, por motivo de não se adaptarem às condições climáticas da região, por isso, preferiram seguir para outra região onde hoje se localiza a cidade de Santarém.

Mais tarde, em cumprimento a referida lei o primeiro núcleo colonial a ter suas terras demarcadas, foi o denominado “Nossa Senhora do Carmo de Benevides”, localizado justamente em uma zona cujo Projeto de Colonização se cobriu de êxito na sua aplicação - a Zona Bragantina, da qual já se falou. Aliás, Bragança já existia desde a época da Capitania, tendo sido elevada à categoria de cidade por ocasião da criação da Província do Grão-Pará. Mesmo assim, Bragança não progredia tanto, devido as dificuldades com referência ao meio de transporte pois tudo se fazia por via marítima, isto é, através do rio Caeté pelo qual é banhada.

Para que pudesse haver melhor intercâmbio entre essa cidade e a Capital, ou seja, por via terrestre e conseqüentemente o resto dos povoados incluindo Castanhal, passou a ser aproveitada a então área inculta que servia de ligação entre as duas cidades. Nessa área passava o agreste, caminho que muitas vezes era roçado e alargado por seus usuários; depois passou a ser denominado de “Caminho do Maranhão”, por iniciar na localidade chamada “Aura” no Pará e terminar numa decadente aldeia maranhense conhecida por “Tapuitapera” (depois cidade de Alcântara, que hoje é uma das mais importantes do Estado do Maranhão).

Segundo, esse caminho fôra aberto pelos índios Tupinambás e muitas vezes percorrido pelo grande explorador da Amazônia, Pedro Teixeira. Depois, utilizado pelos comerciantes de gado bovino que traziam do Maranhão e Piauí, a fim de abastecer Belém, pois na então época o Marajó não supria a necessidade da Capital.

A condução desse gado e de outros pequenos produtos das referidas Capitanias, depois Províncias, era feita a pé em todo o percurso desse caminho algo que deu margem a descoberta dós “Campos de Castanhal”, que segundo nada mais era do que as áreas tomadas por um certo tipo de vegetação em forma de campina que apesar de não muito profícua, de qualquer forma servia para melhorar as condições do gado que emagrecia em conseqüência da longa caminhada. Assim, acampavam aqui e acolá e justamente nessas áreas, era onde se faziam as pousadas mais demoradas provocando, portanto, por parte dos viandantes, a denominação acima referida.

Não só essa parte contribuiu para o povoamento dessa zona, principalmente do núcleo Castanhal, como também a grande seca sofrida pelo Ceará, nos anos 1889, 1890 e 1891, que motivou a vinda de aproximadamente 270 colonos nordestinos, para povoar os lotes agrícolas que haviam sido demarcados pelo engenheiro João dos Passos Damasceno, enviado pelo Presidente Interino da Província, Dr. José de Araújo Roso Danin, ainda no regime Monarquista, por sugestão do Capitão Tenente Francisco Calheiros da Graça, na época, Superintendente da Estrada de Ferro de Bragança, com a sua construção paralisada no lugar denominado “Itaqui”, nome esse que permanece até nossos dias, sendo às proximidades de Apeú.

A Estrada, segundo o balancete apresentado e publicado em “O Diário do Grão-Pará”, de 07-07 de 1886, dava como Receita a quantia de Quatrocentos e Noventa Mil, Duzentos e Oitenta Réis e como Despesa, Doze Contos, Quarenta e Um Mil Duzentos e Trinta Réis. Resultado que não correspondia justamente pela sua paralisação no mencionado lugar.

Foi, portanto, através dessa exposição que novos horizontes se abriram para Castanhal, ou melhor, para um pequeno povoado que ainda se escondia por entre matas virgens rasgadas de ponta a ponta por um rústico caminho ou vereda, mas que já servia de comunicação entre as demais e pequenas vizinhanças. Era Castanhal, que nascia a partir dessa bendita exposição, quando o Comandante Calheiros da Graça, inconformado e bastante otimista, não recuou e acreditando no futuro das novas terras, visando certamente o povoamento do Núcleo, que deveria ser demarcado exatamente nos “Campos de Castanhal”. Para isso, fez com que fosse criada a Repartição de Obras Públicas, Terras e Colonização, através do Dec. nº 364, de julho de 1891.

O Diretor desse órgão, não perdendo tempo, logo nomeou para Administrador do Núcleo Castanhal, o Major da Guarda Nacional, Antonio Marcelino Cardoso Barata. Houve outros, que também se destacaram a frente do núcleo como: John Misael, Segismund Von Paungartten e Agostinho Autran. No entanto, de princípio o desejo de Calheiros, não se concretizou devido sérios problemas que surgiram como: falta de verba, a febre amarela que na então época, se desenvolvia, fazendo com que algumas famílias de imigrantes abandonassem a região e em conseqüência, a suspensão por parte do Governo Provinciano, dos trabalhos de demarcações e inclusive a conclusão da estrada de ferro de Bragança.

Quando parecia que tudo estava consumado, Marcelino, o grande Marcelino, cheio de fé e coragem com a coadjuvação do agrimensor Eustógio de Oliveira Lima, resolveu dar prosseguimento ao magnífico trabalho de localização dos colonos conduzidos de várias regiões do Nordeste principalmente os tangidos pela seca do Ceará, como se expressou o grande colaborador e pesquisador Pergentino Moura: desses heróis nordestinos, que às margens do velho e varadouro, caminho que dada à sua característica rústica recebera várias denominações como “Caminho do Diabo”, “Caminho Tupinambá”, pela participação dos índios Tupinambás na sua abertura e “Caminho do Maranhão”, por ligar Belém a São Luiz. Tomaram a si o povoamento de uma zona desprezada pelos antigos colonizadores do Pará, apavorados com a sua insalubridade. Que não tinham sobroço dos castigos de Deus por confiarem na religião Católica, a salvadora, que podia livrá-los do mau prognóstico que pairava sobre a colonização. Conseguiram vencer todos os obstáculos, dando assim o início do desenvolvimento desse pedaço de solo amazônico e brasileiro que muito tinha a dar pela frente.

No começo de 1616, Francisco Caldeira Castelo Branco, logo após ter conquistado o Pará, no desejo de mandar boas notícias do que acabara de conquistar ao então governador do Maranhão, Alexandre de Moura, incumbiu tal missão, que seria levada por terra, ao grande bandeirante Pedro Teixeira. No cumprimento fiel de sua missão Teixeira; em muitos momentos teve que enfrentar alguns índios provavelmente os tupinambás vencendo todas às vezes juntamente com seus comandos. Não foi, portanto, fácil a tarefa de Pedro Teixeira. Mas com a ajuda divina, confiou em si e em seus homens e então partiu para a Capitania vizinha apesar de todos os obstáculos, lá chegou e deu o dito recado.

Esse feito heróico de Pedro Teixeira contribuiu muitíssi­mo para a formação das povoações ao longo de um agreste caminho que cedo ou tarde haveria de chegar às condições daquilo que já se falou: a zona de maior densidade demográfica do Estado do Pará - a Zona Bragantina. Ao longo de um caminho onde todos os produtos ou cereais das pequenas colônias, eram conduzidos por meio de carros puxados a bois e burros, pois na então época, ainda não havia carro motorizado. Muitos carregavam seus pequenos produtos em baús às costas e na cabeça.

Segundo alguns remanescentes, desse tipo de condução se originou o nome de Apeú; vejamos como: aqueles que partiam do núcleo de Apeú com seus baús, ao chegarem no Núcleo Castanhal, eram logo interrogados de onde vinham e como. Respondiam: “lá da outra colônia”. A pé? “Sim”. “Hú! Como é longe”. E isso foi pegando até que chegou ao ponto dos agrimensores que estavam trabalhando nos preparativos para o prosseguimento da estrada de ferro, transformarem mesmo em tom de brincadeira, num nome que passou a ser levado a sério, até nossos dias.

APEÚ (hoje Distrito de Castanhal), segundo sua colonização se procedeu juntamente com a de sua futura sede municipal. Seu desenvolvimento começou mesmo pela metade do ano de 1883, quando se iniciou a execução do Projeto de construção da ferrovia que ligaria Belém à Bragança. Dois anos depois 1885, os trilhos chegaram na localidade de ITAQUI às proximidades do então Núcleo de Apeú, totalizando portanto 60 quilômetros. Aliás, esse trabalho arrojado, fôra comandado por um dos heróis nordestinos o coronel Antonio de Souza Leal, que mais tarde juntamente com o tenente Alfredo Marques de Oliveira e outros, chegou a grande e respeitado chefe político da terra, como Intendente (cargo equivalente hoje ao de Prefeito), era uma nomeação ou cargo de confiança que o Governo outorgava somente àqueles que prestavam relevantes serviços à comunidade.

Esse projeto, não foi totalmente concluído tendo sido suspenso por tempo indeterminado pelo Governo Provinciano, motivado pela falta de verba e outras coisas mais que resultaram na publicação de um Relatório em “O Diário do Grão-Pará”, datado de 24-06-1891, já no período Republicano, inscrito pelo capitão e chefe da Inspetoria Geral de Terras e Colonização do Estado do Pará, José Maria do Nascimento. Relatório esse, que encorajava o Governo a continuar com o referido Projeto pois o Capitão Nascimento, alegava que não se podia parar uma vez que o Núcleo já apresentava todas as condições para tal dado o seu acelerado desenvolvimento.

O núcleo de Apeú teve tudo para se desenvolver rapidamente, só não acontecendo porque as famílias de imigrantes portugueses que foram destinadas ao núcleo a fim de desenvolver a agricultura e outros meios, conforme acordo firmado em Portugal com uma Empresa paraense, desistiram. Não chegaram, portanto, a se fixar no núcleo, alegando o não cumprimento do referido acordo por parte dos paraenses, apesar da ajuda financeira que o Governo havia proporcionado à dita Empresa para a conclusão desse trabalho.

Finalmente, a causa principal desse fracasso, foi sem dúvida a péssima administração que o núcleo possuía na então época.

O Novo Município

Pouco depois de um ano que Getúlio Vargas assumia o Poder ainda como Chefe do Governo Provisório, em novembro de 1930, Castanhal ganhava a sua autonomia municipal, através do Dec. lei nº. 600, de 28-01-1932, assinado pelo Major Interventor JOAQUIM DE MAGALHAES CARDOSO B ARATA e pelo 1º Ten. ISMAELlNO DE CASTRO. Esse mesmo Decreto revogava o de nº. 565, de 30-12-1931, pelo qual havia sido criado o Município de Santa Izabel e criava o de Castanhal. Pois na época a Vila de Castanhal já reunia maiores condições quanto ao desenvolvimento econômico. Esse ato de MAGALHÃES BARATA fez com que o povo castanhalense saísse às ruas ainda pequenas e agrestes, para festejar com muita alegria e justiça algo que era sem dúvida o fruto de um trabalho plantado com amor e sacrifício a nova terra descoberta no caso, pelos imigrantes nordestinos a quem dedicamos o maior respeito.

Concretizado, portanto, o grau de desejo dos castanhalenses, ao se tornar independente do jugo da Capital do Estado, mesmo sob as conseqüências de um momento revolucionário pelo qual o nosso País atravessava. Também graças ao grande revolucionário MAGALHAES BARATA, que chegou a governar o Pará pela terceira vez. Nascido a 02-06-1888 em Belém, sua trajetória política foi bastante agitada e decisiva. Apesar de autoritário, havia algo maravilhoso dentro de si: o gesto humano com que tratava os mais humildes. Com isso, conseguiu eternizar seu nome junto à política de sua terra. Não completou o período governamental, pois faleceu a 29-05-1959, enlutando o povo paraense que perdia um dos maiores vultos de sua história.

Barata, ao assumir como interventor do Estado soube ser digno da árdua missão que lhe confiara o grande estadista Getúlio Vargas, pois a missão consistia em desenvolver as regiões carentes do Estado do Pará. Entre elas a região Bragantina, que incluía a Vila de Castanhal. E assim se fez.

Castanhal

Prefeitura Municipal de Castanhal - Palácio Maximino Porpino da Silva.
Endereço: Av. Barão do Rio Branco, 2232 - Centro - CEP.: 68743-050
Fone: (91) 3721-1445 / (91) 3721-1634 / (91) 3721-1990 (tel/fax)

O conteúdo deste website é de responsabilidade da Coordenadoria de Comunicação Social da Prefeitura Municipal de Castanhal.

© Prefeitura Municipal de Castanhal - Todos os direitos reservados.