Modernizar aos Cinquenta Por que não?

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A Fundação Cultural de Castanhal (Funcast) está prestes a completar cinquenta anos e é um símbolo de resistência em prol da arte. Com uma história intimamente ligada ao crescimento da cidade, simboliza a força e a perseverança da produção cultural castanhalense.

A Casa de Cultura surgiu em 1968, na gestão do prefeito Pedro Coelho da Mota, e abrigava a Biblioteca Pública apenas. A criação da Fundação Cultural do Município de Castanhal somente se deu mais tarde e foi fruto de uma lei municipal de 1996. Na época, a lei indicava que a Fundação teria que ser implantada entre 90 e 120 dias. Infelizmente, isso não aconteceu. Até então, a Casa de Cultura já existia há 36 anos e funcionava subordinada a então Secretaria de Educação e Cultura.

Em 2018 irá completar 50 anos de existência e, por que não dizer, de resistência em prol do conhecimento e da cultura do município. Hoje ela oferece espaços diversificados, como a Biblioteca José Lopes Guimarães, nome dado ao ilustre historiador e castanhalense de nascença, espaço que conta com computadores para consultas e pesquisas escolares, projeção de filmes, exposições, palestras e cursos que acontecem em parceria com entidades e instituições do município, da capital e de outras cidades.

“Sou moradora da cidade e tenho a satisfação de trabalhar na Funcast há dez anos. Aqui, respiramos a cultura, e isso é muito importante para a cidade e para os diversos artistas que aqui residem” afirma Maria Jacilene, Auxiliar de Coordenação Administrativa da Funcast.
A biblioteca, pilar inicial do espaço, mesmo com limitações, vem procurando acompanhar o tempo e o crescimento da cidade, atualizando conceitos, temas e títulos.

Dentro dos diversos títulos ofertados, a Funcast oferece um acervo em libras. A biblioteca é cadastrada ao Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas, ação do Ministério da Cultura. No Pará, as bibliotecas públicas municipais encaminham suas demandas para a Biblioteca Estadual Arthur Vianna, em Belém e estas, então são repassadas para o Sistema, que responde as demandas apresentadas. Graças a este cadastramento, a Funcast recebe obras em libras, voltadas ao público infanto-juvenil.

O espaço passa por um momento diferenciado, para a cidade como um todo. A consciência da expectativa de mudanças pelos castanhalenses possibilitou, à atual Superintendente da Funcast, Elane Gadelha, verificar que não somente a reforma física do espaço precisava acontecer, mas também uma mudança estrutural, na maneira de fazer e de pensar a cultura, a partir de políticas públicas que realmente contemplem um maior número de artistas do município.

“Existem grupos, coletivos de artistas produzindo. É preciso pensar a Fundação através de um viés antropológico e social. Pensar em fomento, captação de recursos para artistas das diversas expressões existentes. Importante também instrumentalizar este artista, que muitas vezes não consegue se organizar, estruturar um projeto mais competitivo e, quando falo isso, não penso somente em projetos que aconteçam em Castanhal. Temos talentos que precisam e merecem ampliar seus horizontes e isso ressalta um grande desafio, para todos nós”, pontua a Superintendente.

Por este motivo, partiu dela uma visita à sede da Representação Regional Norte do Minc, quando, após uma longa conversa com o Chefe Substituto da representação, Alberdan Batista, formalizar o convite para uma primeira reunião na sede da fundação. Nesta reunião, que aconteceu no início desta semana e contou com parte de equipe da Funcast, Alberdan salientou a validade de tomarem com principal meta o diálogo com a classe local, através da construção de políticas públicas que atendam os anseios dos artistas locais e de como buscar recursos junto ao Ministério da Cultura para o município.

“Somente com diálogo aberto e construção coletiva será possível que os recursos oriundos do Sistema Nacional sejam aplicados de maneira real, de maneira consistente. Castanhal dá um importante passo e torna-se um exemplo que deveria ser seguido por outros municípios do Estado e assim possibilitar que recursos federais cheguem para todos na Amazônia” finaliza o Chefe da Regional do MinC.

FONTE: Representação Regional Norte Minc – RRN